pasta de dente, biscoito e leite condensado. Formigas precisam cuidar da higiene e vão ao mercado.
Conversa entre as prateleiras sobre qual leite é o menos envenenado. Lemos os rótulos, rimos da nossa ignorância e lamentamos nossa morte alimentícia de todo dia. Dona Eva e eu.
Ela me ensina a bordar adereços em camisetas velhas, duas desconhecidas se conhecendo na frente da gôndola dos doces. Trocamos endereços, receitas e costuras. Talvez nunca a visite, mas já estou costurando, e ela deve estar pesquisando os nomes estranhos da composição do creme de leite que comprou.
Morrendo a cada refeição, cariando os dentes, costurando, aprendendo, dona Eva e eu já não somos desconhecidas, uma levará o sorriso da outra para onde for.
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